quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Tipos de representação

1. Aquele que é apenas uma máscara. Reproduz em gestos, expressões faciais, palavras (com suas variáveis: entonação, altura da voz, velocidade com que se respira e inspira, e assim por diante) e até mesmo olhares significativos, casualmente planejados. Corriqueiramente, se chama de fingimento. O que é um equívoco, já que na verdade, não passa de uma tentativa inútil, e portanto, risível, de representar uma vida que não se vive.
Como assim?
Iremos ao número 2.
Aquele tipo de representação que se reconhece em uma foto. Um momento feliz, de descontração, onde 6 rostos felizes se viram para o expectador. Em suas mãos, estes rostos felizes congelados no tempo, seguram copos, muitas vezes cheios de líquido dourado - uma infeliz alusão ao ouro. Esta meia dúzia de dentes à mostra, gostariam de guardar, e por que não exibir, como seu dia é, ou foi alegre.
Bem, se não faço as contas erradas, após 8 horas de trabalho, em média, diárias, numa vida de aproximadamente 70 anos, em que 3 vezes 60 minutos foram gastos no trânsito, dois pares de horas em assistir alienações televisivas, outra parte de tempo equivalente às horas que se passa trabalhando dedicada ao sono, e outros acúmulos de segundos vividos sob outros sentimentos, e a alegria foi pouca.
3. Projeção do desejo, que discorda do palpável.
Imaginemos que a a vida é outra.
A vida é outra em, incrivelmente, todos os sentidos.
A vida é outra, pois não é a que queremos. A vida é a mesma, quando a vivemos.
Como assim?
A representação em palavras de sentimentos, as atitudes de afeto, os presentes que são dados... Talvez sejam pedidos de desculpas silenciosos e fúteis. "Desculpe por ser um grande crítico, e não conseguir realizar, então, nenhum trabalho técnico. Minha capacidade de pensar me impede de agir." Ou "Me desculpe por precisar te convencer diaria e repetidamente de que te amo, para que me ame de volta." E ainda "Tome aqui esse pequena recompensa material por meus atrasos, por meus desabafos telefônicos."
4. A internet.
A vida não basta. Precisamos vivê-la em um outro nível - o virtual.
Comecemos definindo o termo "virtual".
Virtual, é tudo aquilo que poderia ser, caso fosse.
A comodidade de uma página em uma rede social, é algo muito mais inenarrável do que supunhamos! Em uma página (da internet) é possível mostrar uma gama extremamente variada de personalidades, ângulos, e amizades que poderíamos ter, caso não fôssemos, o que na verdade somos.
5. O shopping.
O shopping é a reprodução em menor escala, e portanto, uma representação, do que uma cidade deveria oferecer: lojas, lojas, lojas, segurança, praças (hoje adaptadas para um modelo de consumo - de comida, as famosas praças de alimentação), convivío social entre outros prazeres que podem ser obtidos coletivamente e por pequenos preços. Ele substitui o que tornamos desagradável: o meio da rua. O público. O acessível. O shopping é uma monstruosidade, que naturaliza toda a ferocidade desse sistema.
continua.

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