domingo, 26 de setembro de 2010

Fiz 19

Queria ter parado nos 16.
Aprendi a ler as pessoas, a evitar os desastres, a sorrir os sorrisos certos, a evitar certas amizades
Escutei algumas mentiras, recontei velhas histórias, reorganizei os pedaços que deixara no chão
Entendi que eu ia na contra-mão
Quase sem fôlego, escolhi a vida
Para ser feliz, abri mão do meu coração
Descubri uma velha família, que ficara guardada em casa nas noites que eu saía
Mudei meus planos, abandonei alguns mundos
Fui para os lugares mais seguros, cresci de uma outra forma inevitável e nem tanto
Melhorei o aspectos de meus frutos
Colhi o que havia plantado nos dias escuros
Joguei fora tudo o que não me prestava
Passei a acreditar no que aparentemente é mais difícil
Debaixo da sombra deixei minhas coisas preciosas
Os valores hoje são outros
O futuro chega quando dou meus passos
Lido com outros monstros, sendo mais forte agora
A transição é eterna
Comprendi meus temas, minha marcante indecisão
A reinvintei no plano da abstração
Hoje sonho com a mão no volante, sigo adiante, me dirijo a uma vida que já não está tão distante
E quando olho as pessoas que já tiveram seus amores, seus filhos, aquelas que admiro, até que se parecem comigo
Resolvi meus conflitos
Eu já fiz 19, queria ter parado nos 16, mas agradeço por ter chegado aqui
As cartas na mesa mostravam o contrário
As fotos, um duro retrato
Consegui sobreviver de alguma forma incrível
Agora a vida começa... todo dia

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