sexta-feira, 2 de abril de 2010

Sou mais um, entre 20 milhões na cidade. Tomando suco de abacaxi.
Cidade que não dorme nunca, não durmo eu também.
Hoje sou outra pessoa, mudei ao andar por aí...
Vivo pegando emprestados, os sonhos de outrem.
Descubro em silêncio que nao existe paz dentro de mim. A paz se escondeu no alto de algum arranha-céu.
Escapou pelos meus dedos como líquido doce. Escorreu para debaixo do bueiro.
Se misturou com a enchente. Evaporou e se juntou às particulas de poluição.
Precipitou no colo de outro alguém.

Descobri que de tão distante, esta paz não me pertence. Não pertence a ninguém.
Está sempre fugindo, entre os milhões. Pegando carona em trens, escondida entre vagões.
Meu destino é ser fugitivo. Nômade.
Já não caibo nesse espaço vazio. A cidade já não suporta meus fluxos. Sentimentos e seus movimentos - sazonais.
De tempos em tempos, percebo as rachaduras, que abalam toda a estrutura,
Do meu coração. Me encontro em meio às dúvidas. Me refaço as perguntas... Questões atemporais.

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