Imóvel, inexpressiva, seus olhos não pairavam sobre nenhum lugar, sobre nenhum humano ou mesmo espírito. Seu espírito nada revelava aos outros mortais humanos, e sua face real nada explicava, emoção alguma ali passava.
Sólida, impenetráve, rígida, controlada
E mais uma vez, o exterior não diz nada.
Incontáveis figuras, distorcidas, maltratadas. Sua visão fora de foco, um universo dentro de si.
Tentou enumerar as imagens, o sentimento confuso: raiva, amor, a maior tristeza de sua pouca vida, esperança, gratidão. Uma profusão de todas as coisas que já sentira, um segundo infinito em seu pensamento.
Odiava ser assim, indecifrável, incorrigível.
Gritar não adiantaria, ficaria então pelada, faria o maior alarde, contaria suas histórias.
Se querem obter as respostas corretas, que façam as perguntas certas!
"Me chamam de fria, insensível e alienada
Como se eu não fizesse nada.
E depois querem me cobrar, fazer os acertos, me descobrir
Como se eu não pudesse sentir."
O motivo da revolta mal importava, importava tanto que ela nem falara
"Não devia ser assim, deve ser assim que deve ser."
Até que alguém pôde ver através dela. Estendeu a mão, a libertou de sua cela.
"Me tira daqui."
Agora ela só quer sonhar sem precisar dormir.
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